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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vai, Maneco!


Por que Viver a Vida não deslancha? Acredito que seja por causa da ausência de conflito. Ou mesmo que ele já esteja instalado, é fraco ou não se faz perceber. A contenda entre Helena e Luciana carece de força dramática, mais por culpa de Taís Araújo que de Alinne Moraes (lembram de Sílvia a vilã psicopata de Duas Caras?). Acho que não houve química entre as duas. O mesmo vale para o duelo Helena x Tereza. Lilia Cabral é, sem dúvida, uma grande atriz que segura brilhantemente esse tipo de papel, mas não encontra respaldo do outro lado do ringue. É como diz o ditado: "quando um não quer, dois não brigam".

Não assisto a novela assiduamente, mas até agora não me deu vontade de dizer “não perco um capítulo sequer”. As tramas paralelas também são fracas. A relação entre Gustavo (Marcelo Airoldi) e Malu (Camila Morgado) que, acredito eu, deveria ser um “núcleo de humor” não convence. Esse clima A Gata e o Rato beira o ridículo. Os personagens médicos de tão inverossímeis deixariam com vergonha o pessoal do Seattle Grace e do County General. E os gêmeos maniqueisticamente diferentes um do outro? Melhor vê-los no Casseta & Planeta. Isso tudo sem falar no José Mayer...

Ao que tudo indica, Viver a Vida tem bons índices de audiência, só que até agora tenho ouvido apenas críticas negativas a respeito da trama. É preciso dar uma sacudida nesse folhetim antes que seja tarde. Quero ver gente boa como Giovanna Antonelli, Klara Castanho (excelente) Letícia Spiller, Thiago Lacerda, Natália do Vale, Maria Luísa Mendonça (totalmente desperdiçada) e a própria Lília Cabral mostrarem tudo o que podem. E quem sabe eles também não dão umas dicas para a protagonista... Chega dessa pasmaceira, queremos novelão! Vai, Maneco, contamos com você!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Profissões nas novelas

Existem profissões que volta e meia são retratadas nas novelas, como é o caso das empregadas domésticas. Elas sempre estão lá. Podem ser caladas, intrometidas, engraçadas, falastronas e até terem grande destaque nas tramas como a Mônica (Camila Pitanga) de Belíssima, a Ritinha (Juliana Paes) de Laços de Família e a Judite (Walderez de Barros) de O Rei do Gado.

Empresários também sempre estão presentes nos folhetins. Quem não se lembra do Renato Villar (Tarcísio Meira) em Roda de Fogo com suas dores de cabeça? Ou da maledicente e toda-poderosa Odete Roitman (Beatriz Segall) de Vale Tudo?

Outra profissão bastante comum é a de dona de pensão. Me recordo da Fanny vivida pela Nicete Bruno na segunda versão de Selva de Pedra que atendia o telefone dizendo: “Pensão Palácio, bom dia!”. E outras: D. Divina (Neusa Maria Faro) em Alma Gêmea, Consuelo (Claudia Jimemez) em América, D. Lourdes (Cleide Blota) em Fera Radical. As pensões nas novelas, a meu ver, servem como medida de economia em produção e cenografia. Junta lá um monte de personagem pobre e vão todos morar na pensão da D. Fulana e está formado um núcleo.

Por outro lado, há profissões que aparecem muito pouco, como a minha, por exemplo. Que eu me lembre apenas a Débora Falabella viveu uma designer gráfica em Senhora do Destino. Antes disso: Vera Fischer foi uma desenhista de jóias na novela Brilhante, mesmo campo de atuação de Isadora Venturini, personagem de Silvia Pfeiffer em Meu Bem Meu Mal.

Em Coração Alado, Aracy Balabanian interpretou a única cobradora (ou trocadora) de ônibus das novelas. A personagem Maria-Faz-Favor conquistou o público como uma mulher batalhadora e cheia de sonhos. Era apaixonada pelo barão Von Strauss (Jardel Filho), que na verdade era um massagista que fingia ser barão.
Retratar profissões nas tramas é um terreno em que os autores caminham com alguma dificuldade. As associações de classe estão sempre de olho, prontas a criticar e, às vezes, até a processar por situações apresentadas que possam denegrir a imagem dos profissionais, mesmo que a Constituição Federal não admita qualquer tipo de censura às manifestações artísticas. Acho tudo isso uma bobagem. Novela é diversão e entretenimento e como tal deve ser encarada. Embora eu tenha que confessar que quando via a Solange (Lídia Brondi) como editora da Tomorrow em Vale Tudo, eu sonhava em um dia trabalhar numa redação de revista. Onze anos depois meu sonho se tornou realidade na editora Alto Astral.